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1Minute For Art com Mariana San Martin

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Mariana-San-Martin

Gaúcha, formada em Artes Visuais e Bacharel em Design Gráfico pela Universidade Federal de Pelotas na turma de 2011/2, trabalhou durante anos na área publicitária antes de se voltar totalmente à arte.
Atualmente reside no Rio de Janeiro, onde tem se dedicado à explorar técnicas de pintura e ilustração buscando representar as complexidades e sutilezas humanas através da sobreposição de materiais e técnicas como tinta acrílicacolagemnanquim e pontilhismo.

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Intervenções III

Sobre Cinza

Adelaide

1Minute For Art com Mariana San Martin

1 – Fale um pouco sobre quando você decidiu viver de arte e quais foram os desafios neste período.
R: Eu já “brincava” de ser artista há quase dois anos quando, em julho de 2017, me vi em um ponto de inflexão, encarando a possibilidade de mudar muitas coisas na minha vida. Àquela altura eu já sabia que arte era o que eu queria fazer e, felizmente, a vida me deu o empurrão necessário nessa direção. Aceitar que eu queria ser artista e chegar ao ponto de me apresentar como tal foi um processo longo e cheio de negação porque eu nunca aprendi que arte podia ser uma profissão séria. Muito pelo contrário, sempre relacionei ser artista com falta de reconhecimento e falta de importância social ou com um hobby. Eu, que desenho, pinto e amo qualquer tipo de trabalho manual desde antes de saber escrever, que sempre senti que desenhar me trazia paz, nunca permiti passar pela minha cabeça a possibilidade de trabalhar com arte e esse foi o primeiro grande desafio. Passar por cima dos estereótipos que eu mesma tinha criado e aceitado como realidade para, então, dedicar o tempo e a energia necessários e começar uma profissão do zero, com a seriedade que qualquer profissão exige foi fundamental desde o início.

Close Your Eyes

2 – Nestes desafios, compartilhe uma qualidade sua que fez com que você chegasse até aqui e quais são as habilidades fundamentais no seu ponto de vista para o artista de hoje. 
R: Não ter um plano B é, na minha opinião, o jeito mais eficaz de fazer algo dar certo. Eu decidi ser artista com tanta força que outras possibilidades deixaram de existir e, com elas, todas as desculpas foram embora também. Apesar de ter estudado Artes Visuais, eu me formei Designer Gráfica e me imaginei trabalhando com publicidade o resto da minha vida. Design e Arte podem parecer próximos, mas a Arte tem infinitos caminhos extremamente distantes do Design e todas essas novas possibilidades me causaram muita ansiedade. A gente sempre tem um mundo inteiro de escolhas na nossa frente, mas quando elas ficam assim, tão óbvias, aprender a dar um passo de cada vez é fundamental. Abracei a ideia de que coisas grandes são feitas de várias coisas muito pequenas e de que arte é como uma lombada na estrada, faz a gente desacelerar, querendo ou não e, quando a gente desacelera, a gente enxerga o nosso entorno. O trabalho de um artista é saber enxergar e saber aonde colocar essa lombada pra que os outros tenham também a chance de apreciar a paisagem, se quiserem.

3 – Como você tem desenvolvido a identidade do seu trabalho e quais são suas influências para o desenvolvimento dessa linguagem? 
R: Durante o processo de me reconhecer como artista foi muito forte, para mim, a percepção de que todas as pequenas coisas do dia a dia seriam o que construiria meu caminho futuro e por isso foi também muito natural que o meu trabalho acabasse girando em torno dessa ideia. Memória, percepção, a passagem do tempo, a física das coisas, interferência, a ideia do instante como matéria prima do eu. Nós somos uma sobreposição de momentos, de ações e reações, de escolhas e acasos e meu trabalho nada mais é do que uma materialização dessas ideias.

Avesso

4 – Como a pandemia tem afetado o seu processo criativo e o que você fez ou está fazendo para lidar com isso? 
R: Eu me considero uma pessoa ansiosa, eu gosto de planejar, minha cabeça sempre traça inúmeros cenários possíveis para a maioria das situações. A pandemia, de certa forma, me trouxe um sentimento de calma que eu não conhecia. Uma situação tão inexplicavelmente fora de controle, tão maior que qualquer indivíduo no mundo, um monstro com vida própria que me fez entender, enfim, que absolutamente nada pode ser planejado. Planos são só fé em alguma coisa mas eles não vem acompanhados de garantia nenhuma. Meu trabalho já explorava o desapego e aceitar que o externo interfere e que o interno é feito de uma combinação dessas interferências. A crise que a gente vive me fez refletir mais ainda sobre isso e, possivelmente, a levar essas ideias a outros níveis na minha prática.

5 – Qual a sua visão para o SEU futuro artístico no Brasil? 
R: Me agrada a ideia de um futuro onde haja espaço pra ter e desenvolver ideias livremente, é importante para mim continuar criando e encontrando o equilíbrio entre mercado e poética, que é tão difícil às vezes. Não criar só por criar, mas encontrar através da prática o que há para ser encontrado.

6 – Qual a sua visão para o futuro da arte no Brasil?

R: É preocupante a desvalorização sistemática da cultura, da educação e da capacidade de pensar que o nosso país vive. É difícil explicar o que é arte porque ela caminha com a essência do que nós somos e aspira conosco tudo que poderíamos ser: o bem e o mal, o palpável e o utópico, a paz e a revolta. Arte é o valor abstrato mais intrínseco de um ser humano, tanto que muita gente sequer reconhece a existência dessa força em si. É triste pensar em um futuro coletivo onde a arte se cala ou é calada, mas o futuro é feito de presentes e o presente, apesar de esforços individuais, não me parece promissor.

7 – Como você avalia a cena artística atual no Brasil?
R: Carente e desigual. Ainda assim cumprindo impecavelmente seu papel: ser o reflexo da sociedade que a cria.

 

8 – O que você acha que mudaria de forma positiva o poder da arte no Brasil?
R: Educação é o único caminho para qualquer mudança positiva, na arte ou em qualquer área. Conhecimento é dos bens mais valiosos e mais assustadores que um individuo ou uma sociedade podem ter, conhecimento permite escolhas.

 

9 – Um artista famoso de qualquer época que você gostaria de produzir uma obra em parceria 

R: Lee Jeffries é um fotógrafo retratista que me influenciou muito, seria incrível criar algo com ele.

 

10 – Qual mensagem você gostaria de passar para um artista que está começando agora?
R: A arte é um caminho lindo e imperfeito, é preciso saber lidar com as frustrações tanto quanto com os sucessos. Assim como qualquer outra profissão, é um processo sem fórmula mágica, é preciso dar um passo de cada vez e, principalmente, é preciso se manter fiel a si mesmo.

Mentoria Artística 

11 – Qual mensagem você gostaria de passar para um amante/colecionador de arte?
R: Apreciar arte é tão importante quanto criar arte. Cada momento de silêncio passado em frente a uma peça contrói a peça tanto quanto o trabalho do artista. Um objeto só se torna arte no momento da troca de ideias e sentimentos que ele causa. À cada pessoa que faz perdurar essa conversa transformadora entre objeto e observador, muito obrigada.

12 – Deixe uma frase para o mundo
R: A arte é uma roda de conversa aonde absolutamente todos deveriam ser bem-vindos.

#FiqueEmCasa #FiqueSeguro

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