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Entrevista com artista: 7 perguntas para Tito Ferrara

Confira a entrevista completa com o incrível artista Tito Ferrara e conheça sua trajetória para conseguir viver de arte

Tito já fez muita coisa legal em várias cidades brasileiras, principalmente em São Paulo. Está dominando tanto os espaços públicos quanto os privados e em várias Galerias também.

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Tito Ferrara é artista gráfico e plástico aqui de São Paulo. Deixou sua carreira de Designer para se dedicar unicamente a sua própria arte. Está desenvolvendo um trabalho com muita personalidade, fazendo muito sucesso e deve despontar muito forte pro cenário internacional. Tito é um dos principais artistas da cena brasileira com muita experiência e dedicação constante em seus trabalhos.

Por ser esse cara ser tão incrível, e um artista que consegue viver de arte, a Artluv foi atrás de respostas. O CEO da Artluv, Wendell Toledo, fez uma entrevista com 7 perguntas, onde Tito conta como foi o seu processo de evolução como artista e dá muitas dicas valiosas para novos artistas se destacarem no mercado.

Confira abaixo a entrevista completa. Você também pode escutar no Spotify ou SoundCloud.

1 – Fale um pouco sobre quando você decidiu viver de arte e quais foram o desafios neste período.

Após 10 anos trabalhando para agência,  tive a brilhante ideia de abrir minha própria agência. Inclusive, estive conversando com um cara do mercado publicitário, que também gostaria de se tornar artista, e eu falei que eu só me tornei artista porque a minha empresa estava indo muito mal. O que não era o caso dele.

Já no meu caso, tive essa quebra porque estava em um momento ruim financeiramente com relação a trabalhos. O trabalho de arte era uma coisa que eu já levava em paralelo com a agência. Na época eu tava com uns 23, 24 anos então, ou eu arriscava agora, ou iria ficar cada vez mais difícil. Não que seja impossível fazer essa transição com 40, 50 anos, mas sem dúvida seria mais complicado do que eu com 23.

Em momento algum eu fui o loucão que não tinha respaldo nenhum. Fui levando meu trabalho como designer, até porque aos 18 anos eu tive uma filha, então acho que isso me deixou com o pé no chão no sentido de ter retorno financeiro, porém eu nunca desisti de viver de arte. Ou seja, eu tinha o emprego de designer que me dava dinheiro e fazia os trabalhos de arte, em paralelo, conforme iam surgindo. 

A maioria dos trabalhos de arte que eu pintava eram de madrugada, pintado portões de loja que tradicionalmente fechavam por volta das 21 horas e abriam às 9 horas da manhã. Esse era o tempo que tinha para pintar, sendo que, no dia seguinte, eu tinha que ir trabalhar na agência. 

Tive que conciliar esses dois trabalhos, sempre levando em conta o retorno do público e dos clientes que me contratavam. Dessa forma, pude entender que era possível viver de arte. Então, fui fazendo essa transição de forma não muito agressiva, onde eu entendi que teria que conquistar clientes e público para ter um retorno maior ainda como artista.

2 – Como você avalia a cena atual de arte contemporânea, incluindo a street art e sua visão sobre o mercado atual?

Eu acho que a Arte de Rua, que já é uma nomenclatura bem complexa, é uma essência que veio do Graffiti e do Movimento Hip-Hop que surgiu em Nova York e, como qualquer movimento, o negócio vai se ramificando. Eu acho que é o movimento mais autêntico da atualidade, pois eu vejo o graffiti, a pichação e todos os derivados dessa arte, com uma resposta a agressividade da cidade. 

Acredito que todos os movimentos de arte são assim, ou seja, considero que eles surgiram a partir de alguma coisa. Por exemplo, teve o movimento do Impressionismo que surgiu a partir do momento que uma pessoa tecnicamente conseguiu criar uma tinta a óleo numa forma que ele conseguia colocar em um pote e conseguir pintar no local, já o movimento Renascentista o artista pintava a cor daquele cenário de acordo com que ele estava vendo. Não era uma coisa assim: eu sei que desenhar uma árvore é assim, usando essas cores. Não, ele ia lá no entardecer a árvore estava de uma cor e no amanhecer estava de outra e isso acabou gerando o movimento. 

Resumindo, tecnicamente desenvolveram uma coisa, que era a tinta, onde o artista poderia levar para qualquer lugar e isso gerou esteticamente um movimento no qual pessoas estavam inseridas.

Já a Arte Contemporânea, a Street Art, Arte de Rua (seja lá como você quiser nomear) vem de uma resposta a cidade, que é uma coisa que a gente vive. Eu nasci em São Paulo eu vivi esse cinza. Então é uma coisa que está dentro de mim. 

3 – Como você tem desenvolvido a identidade do seu trabalho e quais são suas influências para o desenvolvimento dessa linguagem?

Essa questão de identidade do meu trabalho eu acho que é a vivência. Não tem como desassociar o fato de eu ter nascido em São Paulo e desde sempre ter visto tudo o que rola na cidade, toda a agressividade e ao mesmo tempo ter privilégios de paz que me levaram a exposição desde que eu me lembro por gente. 

São as vivências e referências, bota tudo no liquidificador e vai sair uma coisa sua. Eu acho que no começo é natural você ser muito parecido esteticamente com alguma referência sua. Eu vejo muitas pessoas se crucificando por isso, por ter um trabalho muito parecido com o de alguém, mas eu acho que é natural. Em escolas de arte uma das coisas mais comuns é copiar artistas de renome. Porém a vida do artista que criou a obra foi completamente diferente da sua, a pessoa pode ter nascido em outra cidade, teve uma família que era diferente da sua, assistiu filmes diferentes dos que você viu, o jeito da pessoa segurar a caneta/lápis/pincel é diferente da forma como você segura e por aí vai. Com isso, vai gerar um resultado diferente e essa coisa do seu traço, personalidade não tem atalho, é com a produção. Se você desenhar mil desenhos no milésimo será um desenho exclusivo seu, se você produzir 4 desenhos você vai fazer cada um com uma linguagem. E então é em cada produção você que você encontrará a sua linguagem.

Tem até uma frase que eu já ouvi muitas vezes (nem sei de quem que é) mas é: “Na vida você vai fazer mil desenhos feios, no milésimo primeiro vai ser bonito”, ou seja, basicamente é o trabalho de produção. Não tem atalho, é produção! Quanto mais você produzir, mais autêntico vai ser seu traço e melhor tecnicamente vai ser seu trabalho. Temos Van Gogh como exemplo, se você for pegar os desenhos do início dele, eram desenhos primários e no final da vida do cara é um grande mestre. Esse lance que muita gente fala de dom é até desmerecer um pouco o artista, porque é um estudo, assim como qualquer outra habilidade que você tenha, é estudo!

4 – Durante a sua carreira, você deve ter passado por muitos desafios, compartilhe uma qualidade sua que fez com que você chegasse até aqui e quais são as habilidades fundamentais para o artista de hoje?

Acredito que é uma busca constante, é uma busca diária. Fazendo uma analogia a felicidade, você não chega à felicidade, é uma coisa que de vez enquanto você está feliz, de vez enquanto você não está tão feliz, e em outras vezes você está triste e faz uma coisa que te deixa feliz, então o lance é: eu vivo de arte

Se eu já fiz tudo que eu queria fazer com a arte? Nem de longe! 

Eu tenho planos, assim que eu concretizo esse plano eu já estou com outro plano na cabeça. E é uma coisa que espero que nunca tenha fim. Quero sempre ter coisas para fazer, coisas diferentes e isso se torna infinito.

Eu comecei a trabalhar com arte há dez anos atrás, ou seja, nós estamos em 2019 hoje, e em 2009 já existiam as redes sociais que estavam começando a ganhar espaço. Então desde sempre o meu trabalho foi conhecido, eu conhecia trabalho de outros artistas e outras pessoas me conheciam através de internet. Por isso, eu peguei essa transição de uma nova ferramenta para vender minhas artes o que antes era feito só por galerias, então vou chamar essa transição de “crise de galerias pequenas”

Mas o fato é que desde o início eu me “vendia”, eu fazia minhas próprias fotos, eu que postava, eu que fazia o trabalho de me apresentar para o mundo, coisa que, talvez, antes das redes sociais, antes da internet, era o trabalho da galeria, o trabalho de uma pessoa. 

Eu acredito que ainda exista esse trabalho de pessoas que fazem isso, mas principalmente no início, os artistas têm que aprender a se colocar, a se posicionar. A grande diferença é isso, o cara tem que ter um lado muito comercial.

As pessoas têm uma tendência a não querer associar a arte com vendas, tem um certo receio de colocar essas duas palavras na mesma frase. Pois você tira um pouco do romantismo do negócio. Entretanto, na prática, se o cara quiser viver de arte, ele precisa vender a arte e isso é desde Leonardo da Vinci até o artista atual, o cara quer vender. 

Antigamente tinha mais o papel de uma pessoa, de um mecenas, de um dono de galeria para “descobrir o artista” e fazer o artista acontecer. Hoje em dia, eu acho que depende muito mais do empenho do próprio artista, o artista tem que ter uma visão um pouco mais comercial do próprio trabalho, saber se vender, saber se posicionar.

O artista tem que se desdobrar, é o cruzar e cabecear! 

Agora eu estou com uma assistente, mas antes eu tinha que responder e-mail, tinha que fazer o layout, tinha que pintar, tinha que passar fita crepe, tinha que participar de vento, embalar tela, comprar o material e tudo! 

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5 – Em quais projetos está trabalhando no momento e qual é a sua visão para o futuro?

Nesse momento, estou estruturando uma nova exposição que eu quero fazer colocando elementos e abordagens novas visualmente. 

Acabei de fazer uma viagem para uma aldeia Caiapó na floresta Amazônica, visitei algumas aldeias aqui em São Paulo, algumas aldeias na praia também aqui no litoral paulista. Estou tentando colocar o momento atual, eu tô fazendo essa vivência e quero transformar isso. Já digeri um pouco de toda a cultura deles que está sendo interferido pela nossa e quero passar isso de forma visual, contar essa história através de uma imagem e somando com o meu trabalho que já é focado em retrato e na história que tem por trás de cada retrato. Então acho que é isso, esse é meu trabalho atual.

6 – Se você pudesse produzir 10X melhor e com 10X mais recursos, o que e como gostaria de criar?

Todos os recursos para esse projeto, até para criar uma coisa mais autêntica, mais artística, foi investimento 100% do meu bolso. Eu não procurei nenhuma empresa para financiar essa essa parte de pesquisa, essa imersão, justamente para não ter nenhum direcionamento, para eu estar completamente livre para interpretar da forma que eu quiser, para falar de forma que eu quiser.

Se eu tivesse dez vezes mais recursos acredito que seria da mesma forma. Porque assim, eu fui para Aldeia e se eu tivesse 10x mais recurso eu não iria de jatinho particular, entendeu? Não faz sentido. Eu acredito que a impressão que eu tive lá é independente de dinheiro, elas são muito mais dá sua força de vontade, de você realmente querer fazer algo que seja real, alguma coisa que você acredita, então até esse momento eu não faria nada diferente. Eu não deixei de fazer alguma coisa por ausência de recurso e não faria nada diferente se eu tivesse dez vezes mais recursos. 

É óbvio que eu tive um gasto para ir lá, para comer e inclusive levar o Rafa que é o cara do vídeo, enfim, tiveram todos esses custos, mas eu não levaria uma equipe maior de filmagem para não interferir demais. Resumindo, acredito que não mudaria absolutamente nada.

7 – Qual a mensagem você gostaria de passar para os amantes de arte, artistas, um investidor ou alguém que está conhecendo a arte agora?

No meu Instagram eu recebo várias mensagens de admiradores de arte e de artistas. Para o admirador de arte eu acho que a mensagem é mais relacionada ao que ele absorve, o que ele entende. Então a mensagem do meu trabalho para ele é que ele interprete mesmo, eu acho que esse lance de você ficar querendo que a pessoa interprete o que você tá querendo dizer é impossível até porque 99% das pessoas vão ver o meu trabalho sem nunca ter ouvido o que eu quis dizer sobre aquela obra especificamente. Eu fiz o trabalho e já não é mais meu, quem vê vai interpretar do jeito que quiser.

Falando para artistas, pois existem muitos artistas querendo começar a carreira para viver de arte, você tem que produzir! Não tem atalho. Você achar sua identidade é uma busca eterna.

Nessa nova exposição que estou criando preciso fazer novas pesquisas, nova produção, para dar esse novo passo. Então é isso, produza, produza até você não poder mais. Veja referências, tenha uma visão crítica sobre o seu próprio trabalho, aceite críticas, aceitar crítica é fundamental, até da pessoa que fala de uma forma um pouco mais seca é importante. Não espere alguém passar a mão na sua cabeça e dá um tapinha nas costas, não vai te acrescentar muito. Pondere suas críticas. 

Produza igual a um maluco, estude igual a um maluco que as coisas acontecem. Se você fizer uma produção, um estudo de qualidade, ter uma visão crítica, aceitar críticas as coisas vão acontecendo naturalmente pois você vai achar sua linguagem, vai achar um público seu e consequentemente você vai encontrar alguém que vai se interessar por adquirir seu trabalho.

Em breve vai ter novidades, até com a Artluv, mas a princípio segue @titoferrara no Instagram que por lá eu posto tudo e qualquer novidade vocês podem conferir por lá!

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